
A última edição da série em destaque do Centro da Música Latino-Americana (LAMC), publicada no dia 13 de fevereiro, foi dedicada ao compositor e acadêmico João Guilherme Ripper. Além de uma extensa e detalhada biografia, a série traz uma entrevista completa com o compositor, além de curiosidades, fotos de acervo pessoal e de óperas de sua autoria, partituras, dentre outras informações. Atualmente dirigido por Gustavo Ahualli, o Centro Latino-Americano de Estudos Avançados em Música (LAMC) foi criado para promover o estudo, a pesquisa e a execução da música íbero-americana. Isso inclui a formação de uma biblioteca completa e especializada de partituras, livros e gravações de música íbero-americana, bem como o fomento do intercâmbio de estudantes, pesquisadores, intérpretes, compositores, musicólogos e educadores musicais entre os países íbero-americanos, a América do Norte e a região do Caribe.
Já sua ópera Onheama, inspirada na mitologia amazônica, teve sua estreia no palco do grande Teatro SCAR, em Jaraguá do Sul/SC, nos dias 23 e 24 de janeiro, em uma das apresentações mais aguardadas do 21º Festival Internacional de Música de Santa Catarina-FEMUSC.
Com mais de 80 artistas em cena, a montagem reuniu orquestra, coro, solistas e elenco infantojuvenil para contar uma história que atravessa aventura, magia e coragem, dialogando com temas como ancestralidade, pertencimento e protagonismo feminino. A direção foi do amazonense Matheus Sabbá, que revisitou a obra 12 anos após a estreia, ocorrida no Festival Amazonas de Ópera.
O autor da ópera, João Guilherme Ripper, celebrou o encontro da obra com o Festival de Música de Santa Catarina/FEMUSC e com a nova geração de intérpretes. “Assisti aos talentosíssimos cantores solistas que integram o festival. O que vemos aqui é um reflexo muito claro de uma nova geração de cantores surgindo no Brasil”, afirma. Para Ripper, esse movimento é resultado direto da formação: “Isso é fruto do trabalho de bons mestres, algo que sempre precisamos valorizar: a educação musical”.
Ripper destacou ainda a afinidade da equipe artística com a obra. “O maestro André Santos e o diretor cênico Matheus Sabbá conhecem profundamente a ópera. Eu sabia que a obra estava em excelentes mãos. A concepção visual está muito bonita e a parte musical está caminhando muito bem”, comenta, após acompanhar a primeira passagem com a orquestra.
Criada a partir de uma encomenda do Festival Amazonas de Ópera, “Onheama” nasceu para dialogar com o público jovem e com a Amazônia. Inspirada no mito do eclipse, a narrativa acompanha a trajetória de Iporangaba, uma jovem guerreira que enfrenta a onça celeste para salvar o sol.
“A figura de Iporangaba vencendo a onça pode representar o desmatamento, a exploração desmedida e a violência contra a Amazônia. Essas leituras se fortalecem conforme o contexto histórico em que a obra é apresentada”, explicou o compositor.
Para Ripper, a presença da ópera no FEMUSC tem um significado especial. “Ela nunca foi apresentada no Rio de Janeiro, por exemplo, e agora chega a um dos grandes centros de formação musical do país. É especialmente importante porque crianças e jovens têm a experiência de trabalhar com a obra de um compositor vivo”.
Ler spotlight publicado pela LAMC
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ONHEAMA (ópera de João Guilherme Ripper)
