
O projeto Música do Brasil completa dez anos de existência consolidado como o principal motor de internacionalização do patrimônio sinfônico e camerístico do país. Gestada em 2016 e concretizada pelo conselheiro Gustavo de Sá através do Departamento de Difusão Cultural do Itamaraty, a iniciativa – que envolve uma parceria histórica entre as filarmônicas de Minas Gerais e de Goiás, a Osesp, a Academia Brasileira de Música (ABM) e o selo internacional Naxos – já resgatou e registrou mais de uma centena de obras nacionais em alta qualidade.
O projeto reverteu o cenário de esquecimento decorrente de partituras submersas ou inacessíveis, reposicionando a produção brasileira no mapa da vida musical do planeta. Como um reflexo direto dessa década de esforço institucional, o mercado fonográfico europeu registra agora um novo fenômeno: a transição de iniciativas heroicas de músicos nacionais para o interesse espontâneo de intérpretes e selos estrangeiros pela música brasileira.
Dois grandes lançamentos internacionais ocorridos nos últimos meses sintetizam esta tendência e celebram o aniversário do projeto.
Marcos Madrigal e o lançamento da gravadora Habanero em Paris
O pianista cubano Marcos Madrigal é o protagonista do álbum de estreia da gravadora francesa Habanero, fundada em Paris por Pierre-Yves Lascar. Lançado em 17 de abril, o disco de 90 minutos é inteiramente dedicado às obras para piano de Heitor Villa-Lobos e Claudio Santoro. O repertório equilibra peças consagradas como o “Ciclo Brasileiro”, o “Choros nº 5 – Alma Brasileira” e as “Bachianas Brasileiras nº 4”, de Villa-Lobos, com as “Paulistanas” e catorze prelúdios de Santoro. O álbum recebeu aclamação da crítica especializada europeia, sendo qualificado pelo prestigiado site francês “Crescendo” como “uma exploração magistral da riqueza da música para piano brasileira”, abrindo caminho para futuros registros planejados pelo selo com obras de Camargo Guarnieri e Frutuoso Vianna.
Gaëlle Sola e o Álbum “RIO” pelo Selo Fuga Libera
Outro grande marco atual é o álbum RIO, lançado em 17 de março pelo selo Fuga Libera (com distribuição da Outhere). Idealizado pela violonista francesa Gaëlle Sola e com direção artística da venezuelana Elodie Bouny, o trabalho foi gravado ao lado da Orquestra Real de Câmara de Wallonia, sob a regência de Roberto Beltrán Zavala. O disco traz como grande destaque a primeira gravação mundial do concerto “O Saci-pererê”, composto por Clarice Assad. A produção também apresenta o clássico “Concerto para violão e pequena orquestra”, de Villa-Lobos, uma gravação mundial inédita da “Suíte Chiquinha Gonzaga” (com arranjo de Paulo Aragão) e uma versão orquestrada de “Brejeiro”, de Ernesto Nazareth.
