
Produção do Auditorio de Tenerife, coproduzida pelos festivais de ópera de Manaus e Belém e com direção musical de Luiz Fernando Malheiro, concorre na categoria Melhor Obra Redescoberta
A produção de Yerma, de Heitor Villa-Lobos, apresentada pelo Auditorio de Tenerife, na Espanha, é finalista do International Opera Awards, um dos mais importantes prêmios internacionais dedicados à ópera. A montagem concorre na categoria Melhor Obra Redescoberta (Rediscovered Work).
A montagem disputa o prêmio com outras sete produções: Ercole amante, de Antonia Bembo, pela Opéra de Paris; Pompeo Magno, de Francesco Cavalli, pelo Bayreuth Baroque Opera Festival; Il pomo d’oro, de Pietro Antonio Cesti, pelas Innsbrucker Festwochen der Alten Musik; Mazeppa, de Clémence de Grandval, pela Oper Dortmund; Wyrok, de Zygmunt Noskowski, pelo Teatr Wielki, de Poznań; Legenda z Erinu, de Otakar Ostrčil, pelo National Theatre, de Praga; e Kain und Abel, de Felix Weingartner, pelo Staatstheater Darmstadt.
Inspirada na peça homônima do dramaturgo espanhol Federico García Lorca, Yerma foi composta por Villa-Lobos em 1956, mas permaneceu praticamente desconhecida dos palcos durante muitos anos. Sua estreia mundial ocorreu somente em 1971, na Santa Fe Opera, nos Estados Unidos, doze anos após a morte do compositor brasileiro.
A produção apresentada em Tenerife marcou a estreia europeia da obra, em outubro de 2025, na Sala Sinfônica do Auditorio de Tenerife. A montagem utilizou uma nova edição crítica da partitura, revisada pelo maestro brasileiro Luiz Fernando Malheiro, responsável também pela direção musical de três das quatro apresentações. Em uma delas, a direção musical esteve a cargo de Pablo Urbina.

Cenário operístico estilizado, com elementos vulcânicos e vegetação das Ilhas Canárias.
O projeto tem especial importância para o Brasil por reunir, como coprodutores, o Festival Amazonas de Ópera, de Manaus, e o Festival de Ópera do Theatro da Paz, de Belém, ao lado do Teatro de La Zarzuela, de Madri, e do Auditorio de Tenerife. A direção cênica, a dramaturgia e a cenografia são assinadas pelo espanhol Paco Azorín.
No elenco de Tenerife, as sopranos Berna Perles e María Miró se revezaram no papel-título. A produção contou ainda com uma equipe artística e técnica internacional.
O reconhecimento no International Opera Awards soma-se aos dois Prêmios Talía 2026, concedidos pela Academia Espanhola de Artes Cênicas à montagem: Melhor Espetáculo Lírico e Melhor Figurino.
A cerimônia do International Opera Awards está marcada para 21 de novembro, no MusikTheater an der Wien, em Viena, na Áustria.
A Academia Brasileira de Música congratula as equipes técnica e administrativa do Auditorio de Tenerife, o maestro Luiz Fernando Malheiro, pela direção musical, o diretor Paco Azorín, pela direção cênica, e todos os artistas e profissionais envolvidos nesta importante produção, que contribui para a recuperação, a circulação internacional e a difusão da obra operística de Heitor Villa-Lobos.

