
Mais recente criação do compositor Eli-Eri Moura (1963), a “Ópera do Cabeça de Cuia” foi estreada em julho no Teatro Municipal Severino Cabral. Encomendada pelo Projeto Sinos – Sistema Nacional de Orquestras Sociais do Brasil (FUNARTE/UFRJ), que apoia projetos sociais que utilizam o ensino coletivo de instrumentos musicais com base na formação de orquestras – a ópera pretende estimular a prática do gênero nos projetos sociais, orquestras jovens e estúdios de ópera.
Com duração aproximada de uma hora e estruturada em ato único, o libreto toma como ponto de partida a lenda do Cabeça de Cuia, uma das mais importantes narrativas do imaginário popular piauiense, ainda pouco conhecida em outras regiões do Brasil. A trama entrelaça essa tradição oral à história de Ismália, protagonista do célebre poema homônimo de Alphonsus de Guimaraens (1870–1921), estabelecendo um diálogo poético entre mito, memória, delírio e destino.
Em um cenário distópico marcado pela fome, pela miséria e pela violência, o pescador Crispim luta para sobreviver às margens de um rio sem peixes. Após conseguir capturar seu único peixe do dia, é assaltado e retorna para casa de mãos vazias. Em meio ao desespero da fome, discute com sua mãe, Maria das Águas, e acaba matando-a com um osso usado para preparar uma sopa. Antes de morrer, ela o amaldiçoa: sua cabeça crescerá como uma cuia, transformando-o em um monstro condenado a vagar pelo rio até encontrar e ser correspondido por uma mulher chamada Maria. Transformado em Cabeça de Cuia, Crispim busca desesperadamente quebrar o encanto. Apaixona-se por Maria Ismália, mulher sonhadora e atormentada, presa a um casamento opressor. Entre ilusões, delírios e desencontros, os dois são tragados pelas águas do rio. Seus corpos desaparecem, mas a lenda permanece: Cabeça de Cuia continua vagando eternamente em busca de amor e redenção.
Além dos protagonistas, Crispim e Maria Ismália, a ópera apresenta outros personagens, com diferentes participações na trama. A instrumentação compreende flauta, oboé, clarinete, fagote, trompete, trompa, trombone, percussão, violino, viola, violoncelo e contrabaixo.
Realizada pelo Estúdio de Criação Operística e idealizado pelo maestro Vladimir Silva, o projeto nasceu com o objetivo de ser um espaço de formação, pesquisa, experimentação e criação artística, promovendo a aproximação entre intérpretes, compositores e público. O fomento para a montagem da estreia mundial é oriundo de premiação obtida por meio da Política Nacional Aldir Blanc Fomento à Cultural, Edital de Chamamento Público Nº 0013/2025, da Secretaria de Estado de Cultura – Governo da Paraíba.
