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Morre o Maestro e Acadêmico Roberto Tibiriçá, referência da regência orquestral brasileira

Tibiriçá esteve à frente de algumas das principais orquestras brasileiras e internacionais e trabalhou com grandes solistas

Morre o Maestro e Acadêmico Roberto Tibiriçá, referência da regência orquestral brasileira
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A Academia Brasileira de Música informa com profundo pesar a notícia do falecimento do Maestro e Acadêmico Roberto Tibiriçá, ocorrido na madrugada deste sábado, 3 de outubro de 2026, aos 72 anos.

Uma das personalidades de destaque da regência orquestral brasileira, Roberto Tibiriçá construiu, ao longo de mais de cinco décadas de dedicação à música, uma trajetória marcada pela excelência artística, pela valorização do repertório brasileiro e pelo compromisso com a formação de novas gerações de músicos e de público.

Nascido em São Paulo, em 1954, Tibiriçá iniciou sua formação musical ao piano, recebendo orientações de importantes nomes da música brasileira, entre eles Guiomar Novaes, Magda Tagliaferro, Dinorah de Carvalho, Nelson Freire e Gilberto Tinetti. Ainda jovem, aproximou-se da regência e tornou-se discípulo do maestro Eleazar de Carvalho, com quem trabalhou por cerca de 18 anos. Venceu por duas vezes o Concurso para Jovens Regentes da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, passando posteriormente a atuar como seu principal regente convidado.

Entre 1984 e 1985, atuou como regente assistente do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. De volta ao Brasil, desenvolveu uma extensa carreira à frente de importantes conjuntos sinfônicos. Em 1994, chegou ao Rio de Janeiro para integrar a Orquestra Sinfônica Brasileira, da qual foi Diretor-Adjunto e, posteriormente, Diretor Artístico. Também esteve à frente da Orquestra Petrobras Sinfônica, da Sinfônica Heliópolis, da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, da Orquestra Sinfônica de Campinas, da Orquestra Filarmônica de São Bernardo do Campo e da Orquestra Sinfônica do SODRE, de Montevidéu, entre outros importantes conjuntos do Brasil e da América Latina.

Sua atuação foi especialmente significativa para a divulgação da música brasileira. À frente de diferentes orquestras, Tibiriçá apresentou primeiras audições, recuperou obras pouco executadas e realizou gravações dedicadas a compositores brasileiros. Entre seus trabalhos, destacam-se registros de obras de Heitor Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Hekel Tavares e Wagner Tiso, além de projetos que aproximaram a música de concerto de um público mais amplo. Em 2020, regeu a estreia mundial da ópera Cartas Portuguesas, de João Guilherme Ripper, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

No Rio de Janeiro, sua trajetória esteve particularmente ligada à Orquestra Petrobras Sinfônica, da qual foi Diretor Artístico e Regente Titular entre 2000 e 2004. Durante esse período, desenvolveu projetos voltados à ampliação e renovação do público, além de iniciativas de valorização dos artistas brasileiros. Também esteve à frente de importantes realizações no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, entre elas o Ciclo Beethoven, em 1998, que reuniu as nove sinfonias, os cinco concertos para piano, o Concerto Tríplice e o Concerto para Violino do compositor alemão.

Tibiriçá teve ainda uma atuação especialmente dedicada à formação de jovens músicos e regentes. Idealizou o Concurso para Jovens Solistas “Armando Prazeres”, o Concurso para Jovens Regentes “Eleazar de Carvalho” e, em parceria com a Academia Brasileira de Música, o Concurso para Jovens Compositores “Claudio Santoro”. Seu compromisso com a formação de novas plateias e com a transmissão do conhecimento musical constituiu uma das marcas mais importantes de sua atuação.

Em 2002, recebeu o título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro, concedido pela Assembleia Legislativa, em reconhecimento aos serviços prestados à cultura fluminense. Ao longo de sua carreira, recebeu também importantes distinções, entre elas o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Regente Sinfônico, o Prêmio APCA, a Ordem do Ipiranga, concedida pelo Estado de São Paulo, e a Grande Medalha Presidente Juscelino Kubitschek, do Governo de Minas Gerais. Em 2024, recebeu da Universidade Federal de Minas Gerais o título de Doutor em Música por Notório Saber, em reconhecimento à sua trajetória artística e pedagógica.

Em 2003, Roberto Tibiriçá foi eleito membro efetivo da Academia Brasileira de Música, passando a ocupar a Cadeira nº 5, cujo patrono é José Maurício Nunes Garcia e cujo fundador foi Frei Pedro Sinzig. Sua posse consolidou também, no âmbito da Academia, o reconhecimento de uma carreira inteiramente dedicada à arte da regência.

Desde 2022, Roberto Tibiriçá exercia a função de Diretor Musical e Regente Titular da Orquestra Sinfônica do Paraná, à frente da qual desenvolveu um trabalho de renovação artística, valorização do repertório brasileiro e aproximação com novos públicos. Em 2025, esteve à frente das celebrações pelos 40 anos da orquestra, regendo, entre outros projetos, a primeira apresentação da Sinfonia nº 2 – Ressurreição, de Gustav Mahler, no Teatro Guaíra. Em maio de 2026, poucos meses antes de seu falecimento, regeu a programação comemorativa dos 41 anos da OSP, dedicada a Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos e Francisco Mignone.

Ao longo de sua trajetória, Roberto Tibiriçá esteve à frente de algumas das principais orquestras brasileiras e internacionais e trabalhou com grandes solistas. Dedicou especial atenção à música brasileira, realizando primeiras audições, gravações e projetos de valorização de compositores nacionais, além de desenvolver importante atuação na formação de jovens músicos e regentes, na formação de novos intérpretes e na criação de novas plateias.

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