
A Academia Brasileira de Música convida para os “Encontros ABM 2026”, série de eventos online a realizar-se entre março e novembro. Por meio de debates e mesas-redondas, músicos e pesquisadores convidados promoverão a reflexão sobre temas atuais e relevantes para o desenvolvimento da música brasileira nas áreas da composição, da interpretação, da educação musical e da musicologia. Ao longo deste ano, os encontros abordarão o tema “Pensar a composição brasileira hoje: chaves para a criação, a interpretação e a recepção da música brasileira contemporânea”.
Na terça-feira, 15 de setembro, às 18h, a ABM promove mais uma edição dos “Encontros ABM”. Com transmissão ao vivo pelo nosso canal no YouTube, a roda de conversa terá como tema “Música Experimental e Arte Sonora”.
Com mediação de Jean-Pierre Caron, Paulo Vivacqua, Pedro Rebelo e Valério Fiel da Costa discutirão práticas experimentais e arte sonora a partir de perspectivas que atravessam a composição, a escultura sonora, a performance e a pesquisa acadêmica. O encontro propõe uma reflexão sobre o som como matéria espacial, social e conceitual, explorando sua presença para além da sala de concerto — em galerias de arte, espaços públicos, instalações e contextos site-specific — e problematizando os limites entre música, arte e experiência sensorial.
Link para assistir ao vivo no YOUTUBE:
Perfis dos debatedores:
Paulo Vivacqua é artista plástico com formação em música, piano, composição e música eletroacústica, desenvolve pesquisas na interseção entre som, espaço e linguagem visual. Suas instalações e esculturas sonoras articulam alto-falantes, objetos, materiais industriais e elementos arquitetônicos, criando paisagens sonoras, atmosferas imersivas e narrativas imaginárias.Participou de exposições com os trabalhos: Sound Field (Omi Sculpture Park, Hudson Valley, 2002), Sentinelas (Sculpture Center, Nova York, 2004; Palácio Gustavo Capanema, 2008; Parque Casa do Governador, Vila Velha, 2024), Deserto (Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2006), Interpretação e Ohm (30ª Bienal de São Paulo, 2012), Relatos e Visagens (Kunsthal Kade, Amersfoort, 2016), Alfabeto (Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2017), (re)inventarium (Museu Paranaense, 2019), e trabalhos apresentados na Galeria Anita Schwartz, como Barbapapa (2019), Bla Babel (2020) e Klangfarbenmelodie (2022). Em 2026, participa da exposição Mineral, na Galeria OÁ, em Vitória, com Memória da Pedra.
Pedro Rebelo é professor, compositor, artista sonoro e performer, com atuação nas áreas de música de câmara, improvisação e instalação sonora. Seu trabalho articula uma abordagem crítica e prática do som por meio da composição, performance, exposições e escrita. Coordenou projetos participativos com comunidades de Belfast, na Irlanda do Norte, da Maré, no Rio de Janeiro, e com a comunidade cigana em Portugal, resultando em exposições apresentadas em instituições como o Metropolitan Arts Centre, em Belfast, o Parque Lage, o Museu da Maré e o MAC Niterói. Como pianista e improvisador, colaborou com músicos como Chris Brown, Mark Applebaum, Carlos Zingaro, Evan Parker e Pauline Oliveros, e teve trabalhos lançados pela Creative Source Recordings. Foi contemplado com duas bolsas do Arts and Humanities Research Council para o projeto interdisciplinar Sounding Conflict, dedicado às relações entre som, música e situações de conflito.
Valério Fiel da Costa é pesquisador, compositor e performer, professor de Composição e Musicologia do PPGM-UFPB, programa de pós-graduação que coordenou em duas ocasiões. Doutor em Processos Criativos pela UNICAMP, dedica-se à reflexão sobre a forma musical em obras de caráter aberto. Em 2016, publicou Morfologia da Obra Aberta, no qual propõe uma teoria geral para a forma musical. Desde 2000, coordena o projeto Artesanato Furioso, que desenvolve, de modo empírico, uma reflexão sobre a forma musical a partir da ação performática ativa e criativa. No presente debate, aborda características estético-ideológicas e institucionais da música experimental brasileira, buscando situá-la no contexto de uma produção contemporânea marcada por esquemas curatoriais e pelos padrões de avaliação de partituras nos cursos de composição, e discutir suas implicações no desenvolvimento e nos formatos da música experimental no Brasil.
Perfil do moderador:
Jean-Pierre Caron é filósofo, compositor e performer, nascido no Rio de Janeiro. É professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde atua nas áreas de Estética e Filosofia da Música, e instrutor do The New Centre for Research and Practice. Doutor em Filosofia pela Universidade Paris 8 Vincennes-Saint-Denis, em cotutela com a Universidade de São Paulo, desenvolveu pesquisa sobre a indeterminação em John Cage e suas implicações para a ontologia e a política da obra musical. Sua produção articula filosofia, estética e práticas musicais contemporâneas, abrangendo questões relativas à ontologia da obra musical, à filosofia da linguagem e à teoria crítica. Também integra o selo musical Seminal Records, por onde lança álbuns de música contemporânea, noise e música experimental.
Mais informações:
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