
No dia 18 de novembro, terça-feira, a ABM promoveu mais uma edição dos “Encontros ABM”. Com transmissão ao vivo pelo nosso canal na plataforma YouTube, a roda de conversa abordou a problemática da sustentabilidade financeira de companhias independentes, concursos e festivais de ópera no Brasil; as alternativas ao patrocínio das leis de incentivo fiscal e apoio municipal, estadual ou federal; modelos de gestão e de economia criativa que possam fortalecer a viabilidade e garantir a sustentabilidade das organizações líricas no contexto sociopolítico contemporâneo do Brasil.
Com mediação do maestro e compositor Luciano Camargo, o debate reuniu o maestro Aldo Brizzi e as cantoras Gisele Ganade e Janette Dornellas, abordando o assunto a partir da experiência e das soluções que cada um adota como diretores artísticos de espaços culturais, companhias e núcleos de ópera.
Link para assistir no YOUTUBE: https://www.youtube.com/live/kwXzHSwRKcM?si=rltGi-zWR3Ns9LY3
Aldo Brizzi é compositor e maestro. Na Universidade de Bolonha, estudou semiótica com Umberto Eco, musicologia com Lorenzo Bianconi e composição com Franco Donatoni e Aldo Clementi. Trabalhou também com Giacinto Scelsi, que influenciou sua visão artística. No Conservatório de Milão, participou de workshops com Leonard Bernstein, Pierre Boulez e Sergiu Celibidache. Em sua produção composicional, destacam-se as óperas “Mambo Místico”, “Gabriel et Gabriel”, “Ópera dos Terreiros”, “Jelin” e “Amor Azul”, escrita em parceria com Gilberto Gil. No final da década de 1990 e ao longo dos anos 2000, passou a fundir diferentes tradições e estilos. Isso culminou no aclamado álbum Brizzi do Brasil, que conquistou o Troféu Caymmi em 2003 (Melhor produção de álbum brasileiro). Como regente, já esteve à frente da Bamberger Symphoniker, da Orchestre Philharmonique de Radio France (Paris), da Orchestra da Camera dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia (Roma), das cordas da Berliner Philharmonie, da Sinfónica Nacional do México, da Sinfónica do Porto Casa da Música, da Filarmonica di Torino, da Orquestra Metropolitana de Lisboa, do Israel Chamber Ensemble, dos Kreisler Strings (Londres), do Ensemble Recherche (Freiburg), do Ensemble l’Itinéraire (Paris), entre outros. Foi diretor principal do Ensemble Darmstädter Ferienkurse, do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e do Akanthos Ensemble. Atualmente é diretor musical do Núcleo de Ópera da Bahia.
Gisele Ganade é cocriadora e diretora artística da Cia. Minaz, uma companhia de ópera e musicais sediada em Ribeirão Preto, onde mantém o Teatro Minaz, atuando há 35 anos na formação de novos profissionais e público para a música vocal e na educação musical de crianças, jovens e adultos em Ribeirão Preto e diversas cidades do estado de São Paulo. Maestrina e cantora com formação musical na UNICAMP, já integrou os corais do Theatro Municipal de São Paulo. Na Minaz, além de diretora artística, atua como regente, regente coral e solista em recitais, concertos sinfônicos e sinfônico-corais, incluindo cantatas, óperas e musicais. Seu vasto repertório operístico inclui títulos de Pergolesi (La Serva Padrona), Mozart (Die Zauberflöte e Le nozze di Figaro), Rossini (Il barbiere di Siviglia), Mascagni (Cavalleria Rusticana), Leoncavallo (Pagliacci), Verdi (La Traviata), Purcell (Dido and Aeneas), Puccini (Gianni Schicchi) e Marcos Portugal (O Basculho de Chaminé). Dentre os musicais, destacam-se Ópera do Malandro (Chico Buarque), Os Saltimbancos (Luis Enríquez Bacalov) e Hair (Galt MacDermot) entre outros títulos. Foi regida por maestros como Abel Rocha, Roberto Minczuk, Norton Morozowicz, Victor Hugo Toro, Claudio Cruz, Ricardo Bernardes e Mítia D’Acol. Em Campos do Jordão, respondeu pela curadoria musical do Auditório Claudio Santoro junto à ACAM Portinari. Integra a Academia Ribeirãopretana de Letras e Artes.
Janette Dornellas é cantora, cenógrafa e figurinista. Doutora em Artes pela UnB, tem em sua formação complementar estudos de canto com Suzana Cardonnet, no Instituto Superior de Arte do Teatro, Colón e com Franco Iglesias, na Universidade Estadual de Portland (EEUU). Tem em seu portfólio vários personagens principais de muitas produções operísticas, assim como recitais de música de câmera e concertos sinfônicos sob a regência importantes maestros brasileiros. Na Califórnia (Modesto), já interpretou Carmen (Bizet) com a Townsend Opera Players. Como diretora cênica, dirigiu as óperas Il barbiere di Siviglia (Rossini), L’elisir d’amore, Don Pasquale e Lucia de Lammermoor (Donizetti), Tosca (Puccini), Die Lustigen Weiber von Windsor (Nicolai), Gianni Schicchi (Puccini), Cosi fan Tutte (Mozart), O Telefone (Menotti), Pagliacci (Leoncavallo), João e Maria (Ayrton Pisco) e a cantata O Menino Maluquinho (Ernani Aguiar). No VI Concurso Internacional de Canto Carlos Gomes (RJ, 1998), obteve o terceiro lugar. É professora de Canto lírico e Canto popular na Escola de Música de Brasília e Diretora Artística do Instituto Cultural Janette Dornellas, conhecido como Casa da Cultura Brasília.
Luciano Camargo é regente e compositor, especialista no repertório vocal-sinfônico e operístico. Sua formação acadêmica (Bacharelado em regência, Mestrado e Doutorado em Música) foi integralmente realizada na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Foi diretor de música sacra do Kantorei St. Peter und Paul em Freiburg (2000-2001), realizou estágio acadêmico no Conservatório Estadual de São Petersburgo (2007), e desde então desenvolve uma prolífica pesquisa em musicologia analítica e performance sobre a música russa. Desde 2003 é Diretor Musical da Associação Coral de São Paulo/UNIOPERA, tendo dirigido temporadas de concertos e óperas que incluíram títulos consagrados como Carmen, La traviata, La bohème, O Barbeiro de Sevilha e, também, a estreia de sua ópera autoral Édipo Rei (2025), baseada na tragédia de Sófocles com libreto de Rodolfo García Vázquez. Foi professor de regência da Universidade Federal de Roraima em Boa Vista e desde 2023 integra o corpo docente do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista – UNESP.
