
No dia 4 de julho de 1935, nascia o compositor Mario Ficarelli – há 90 anos, portanto. Um dos nomes fundamentais da música brasileira nas últimas décadas da segunda metade do século XX e início do século XXI, ele não apenas deixou um legado com um significativo catálogo, mas também como professor – atividade que motivou a criação de seu último projeto, o método “Musissimphos”, que conseguiu finalizar antes de sua morte, em 2014.
Ficarelli foi professor da Universidade de São Paulo e tem em seu catálogo mais de 220 obras para diversas formações instrumentais, incluindo música de câmara, música sinfônica, a ópera “A peste e o intrigante”, baseada em Monteiro Lobato, e uma “Missa solemnis”.
Ficarelli dedicou o método Musissimphos “a todas as crianças e jovens do meu País, que têm a música como o mais atraente, intuitivo e caloroso meio de comunicação”. “Trata-se de um trabalho idealizado para o ensino musical em orquestras de iniciantes”, explicou a compositora e pianista Silvia de Lucca, viúva de Ficarelli, responsável pela curadoria e organização geral do projeto, em entrevista ao Jornal da USP. “Os últimos quatro anos de sua vida foram dedicados à organização desse método. Ele cumpriu o desafio de mostrar que a música é vida. Mesmo internado no hospital, até os seus últimos instantes ele trabalhou nesse método para incentivar a educação musical.”
Para lembrar os 90 anos de Ficarelli, a Rádio USP apresentou, em julho, músicas do professor, ao longo de sua programação, além de entrevistas de arquivo, que podem ser acessadas neste link https://jornal.usp.br/cultura/radio-usp-lembra-a-musica-e-o-legado-de-mario-ficarelli/
“Acreditar sempre era outro sentimento que Ficarelli aprendeu a desenvolver desde criança, guiado pelo pai, que ele considerava seu grande mestre”, destaca Silvia de Lucca em um texto divulgado neste mês, em que homenageia Ficarelli por ocasião dos seus 90 anos. “Daí se entendia facilmente a esperança que o estimulava, o encorajava e não o deixava desistir de ter optado pela carreira de compositor classificado como ‘erudito’, em um país que ainda mal compreende o significado desse segmento. Uma vez, ele declarou diante das conhecidas dificuldades de se trabalhar nessa especialidade: ‘Continuar fazendo para que não seja extinta, nem que seja só para isso’.”
