Sigismund Neukomm Cadeira n° 6
Fundador Antônio Garcia de Miranda Neto
     
Acadêmico atual

Nasceu em Salzburg, a 10 de julho de 1778. Foi aluno de Michael Haydn, mestre de capela e organista da catedral de Salzburgo, que lhe confiou parte de suas funções de organista da catedral. Aos 16 anos transferiu-se para Viena onde, por sete anos consecutivos, estudou com Joseph Haydn. Deixou Viena em 1804, para ser kapellmeister no teatro alemão de São Petersburgo, na Rússia. Voltou a Viena em 1809 e mais tarde passou a ocupar o cargo de músico da casa do príncipe de Talleyrand. Foi responsável pela composição e execução do grande Te Deum que marcou a entrada de Luís XVIII em Paris, assim como pelo Requiem que, em 1815, celebrou a memória de Luís XVI e de Maria Antonieta na Catedral de Viena, na presença de todas as cabeças coroadas da Europa, presentes ao Congresso de Viena.

Chegou ao Rio de Janeiro a 30 de maio de 1816, na comitiva do Duque de Luxemburgo, embaixador extraordinário de Luiz XVIII, que tinha a missão de incrementar as relações diplomáticas entre França e Brasil.
A 16 de setembro de 1816, um decreto real nomeou-o professor público de música no Rio de Janeiro e encarregado de prestar serviços como compositor e executante. Foi professor do príncipe D. Pedro, de sua esposa Leopoldina, e da princesa D. Isabel Maria. Foi também professor de Francisco Manuel da Silva e da esposa do Cônsul Geral da Rússia, Sra. Langsdorff.

No Rio de Janeiro Neukomm escreveu várias peças. A principal delas foi a Missa Solemnis pro Die Acclamationis Joannis VI, composta em 1817 cujo autógrafo encontra-se na Biblioteca Nacional da França. Outra obra sacra de destaque escrita por Neukomm no Rio de Janeiro foi a Missa Sancti Francisci, de 1820, composta por encomenda de D. Leopoldina.

Neukomm foi um dos primeiros compositores no Brasil a se dedicar ao repertório de câmara, como o Noturno para oboé trompa e piano, escrito em 03 de julho de 1817 para o entretenimento da família real no Paço da Quinta da Boa Vista. Para os saraus da aristocracia compôs L'amoureux, uma fantasia para pianoforte e flauta, escrita em 12 de abril de 1819 e dedicada a seus amigos, o casal von Langsdorff.

A obra sinfônica mais significativa escrita por Neukomm no Brasil foi a Sinfonia para Grande Orquestra em mi bemol maior, de 1820. É a primeira obra do gênero escrita em solo brasileiro.

No terreno da música de caráter nacional Neukomm foi também pioneiro. Sua peça para piano intitulada O Amor Brazileiro, de 1819, foi construída a partir de um lundu de autoria de Joaquim Manoel da Câmara, autor que contava com sua admiração e do qual transcreveu diversas modinhas com acompanhamento de piano.

As múltiplas atividades de Sigismund Neukomm no Rio de Janeiro incluíram também a produção de artigos para o periódico vienense Allgemeine Musikalische Zeitung a partir de 1819, onde comentou episódios e citou importantes figuras da vida musical da Corte, especialmente José Maurício Nunes Garcia.

Voltou para a Europa em 1821 e faleceu em Paris, a 03 de abril de 1858.
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