​Helza Camêu Cadeira n° 19
Fundador ​Benedito Nicolau dos Santos
     
1° Sucessor Acadêmico atual

Helza de Cordoville Camêu nasceu no Rio de Janeiro, em 28 de março de 1903. Começou a estudar piano com Paula Ballariny, aos 7 anos. Estudou no Colégio Pedro II. Aos 16 anos fez uma audição para Alberto Nepomuceno e em 1919 ingressou no Instituto Nacional de Música. Com a morte de Nepomuceno em 1920 passou a estudar com João Nunes. Formou-se obtendo a Medalha de Ouro. Realizou o primeiro recital solo como pianista em 1923. Interessada pela composição desenvolveu o estudo da harmonia com Agnello França, contraponto e fuga com Francisco Braga e Assis Republicano e composição com Lorenzo Fernandez.

Apresentou-se pela primeira vez como compositora em 1934, em recital exclusivo de suas obras no Salão do Instituto Nacional de Música. Em 1936 um segundo recital de suas obras, realizado no Conservatório Brasileiro de Música, apresentou o Quarteto de Cordas em si menor op.12. A compositora inscreveu a obra no Concurso de Composição promovido pelo Departamento de Cultura do Estado de São Paulo, organizado por Mário de Andrade. A composição obteve o segundo lugar e foi executada no Theatro Municipal de São Paulo em 10 de maio de 1937. Uma segunda premiação em concurso foi obtida em 1943, com o poema sinfônico Suplício de Felipe dos Santos, primeira parte dos Quadros Sinfônicos. A obra obteve o primeiro lugar no concurso de composição promovido pela Orquestra Sinfônica Brasileira e Departamento de Imprensa.

Foi pelo interesse em utilizar a música indígena como material para uma nova obra coral que se encaminhou para a musicologia. Através de Roquette Pinto, então diretor do Museu Nacional, conheceu, em 1929, os fonogramas gravados de música tradicional indígena. Posteriormente passou a trabalhar na Seção de Estudos do Serviço de Proteção ao Índio, fazendo a transcrição de fonogramas.
Em 1955, à procura de gravações de música indígena na Discoteca da Rádio MEC, foi convidada pelo diretor artístico da emissora, René Cavé, para assumir a função de discotecária e redatora do programa Música e Músicos do Brasil, função que desempenhou até a aposentadoria, em 1973.

Proferiu conferências e palestras na Associação Brasileira de Imprensa, Associação dos Artistas Brasileiros, na Escola Nacional de Música e publicou seu primeiro artigo, Apontamentos sobre música indígena, no jornal Tribuna da Imprensa, em 1950. Trabalhou ainda no Museu Nacional na catalogação do acervo de instrumentos musicais e na organização de exposições.

Em 1977, lançou seu único livro editado a Introdução ao estudo da música indígena no Brasil, considerado o mais completo estudo da música dos nossos índios. Outro trabalho importante foi Valor histórico de Brasílio Itiberê da Cunha e sua fantasia característica: A Sertaneja, publicado em 1970 na Revista Brasileira de Cultura. Publicou artigos também na Revista Brasileira de Folclore, na Revista do Conservatório Brasileiro de Música, no Jornal das Letras, Jornal do Brasil e Jornal do Commércio.

Helza Camêu ingressou na Academia Brasileira de Música em 1946. Ao falecer, aos 92 anos em março de 1995, deixou inacabado o livro Tempo e música – um estudo sobre música brasileira dos séculos XVI ao XX.

Em 2005 teve um CD com obras de sua autoria lançado pelo Selo Rádio MEC onde consta o Duo para clarineta e fagote (Cidade Nova – Diálogos ao Luar), a Sonata para violoncelo e uma série de canções.
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