​Francisco Valle Cadeira n° 33
Fundador ​Assis Republicano
     
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Francisco Magalhães do Valle nasceu em 20 de março de 1869, em Porto das Flores, Juiz de Fora/MG. Estudou primeiramente com seu pai, o flautista Manuel Marcelino do Valle (1839-1903), sendo posteriormente aluno de piano de Elisa Schmidt e Wilhelm Bickerle. De acordo com o biógrafo Américo Pereira, Francisco Valle começou a compor aos quatorze anos de idade e, a partir de 1885, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde estudou piano com Alfredo Bevilacqua e harmonia com Miguel Cardoso. Suas primeiras obras foram a Sonata em dó menor e a Mazurca Sentimental.

Foi no ano de 1886 que começou a se projetar como pianista. Em agosto exibiu-se no Club Beethoven do Rio de Janeiro e em setembro na Exposição Industrial de Juiz de Fora. Seu concerto para a Princesa Isabel no Paço de São Cristóvão, em setembro desse ano, rendeu-lhe uma carta de apresentação para o imperador Pedro II, que se encontrava então em Paris. Partiu para a França em setembro de 1887, com recursos financeiros de seu avô materno. Vivendo modestamente, foi aluno ouvinte do Conservatório de Paris, estudou piano com Charles-Wilfrid Bériot, órgão com Charles-Marie Widor e composição particularmente com César Franck.

Durante sua estada em Paris, Francisco Valle reencontrou seu colega brasileiro Sílvio Deolindo Fróis, além dos compositores Alexandre Levy e Francisco Braga, que lá também estudavam. Fróis, em uma carta de 1938, deixou um importante testemunho das atividades de Francisco Valle naquela capital e sobre sua amizade com os franceses André Dulaurens e Charles Tournemire.

Seu regresso ao Brasil foi forçado pela morte de seu avô em 1890, que havia deixado sua família em difícil situação. No Brasil, Francisco Valle passou um curto período dando aulas de piano em fazendas da região de Juiz de Fora, casando-se em 1894 com Maria da Conceição Coimbra, que faleceu em 1903, e com a qual teve três filhos. No ano seguinte transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde viveu como professor de piano, e apresentou suas composições em concertos no Teatro São Pedro de Alcântara e no Clube Sinfônico em 1895. Foi também nomeado membro honorário do conselho do Instituto Nacional de Música em 1896, integrando bancas de exames na instituição. Uma doença neurológica que já se manifestava por essa época obrigou-o a retornar para Minas Gerais em outubro de 1899, fixando-se em Juiz de Fora. Recuperado de sua doença, Valle casou-se com Petrina Leal, tendo com ela seu quarto filho.

Nos primeiros anos da República a produção de Francisco Valle reflete os acontecimentos políticos dessa fase: em 1897 foi apresentado no Rio de Janeiro, sob a regência de Alberto Nepomuceno, um poema sinfônico de sua autoria intitulado Depois da Guerra, inspirado na Revolta da Armada (1893-1894); em 1900 o compositor escreveu o Hino do Centenário, para celebrar o Quarto Centenário do Descobrimento do Brasil.

Foi também em 1900 que o compositor apresentou, no Teatro Novelli de Juiz de Fora, várias de suas novas composições, entre as quais a versão para dois pianos do Bailado na Roça. Em 1905 o compositor apresentou em Juiz de Fora uma palestra usando como exemplo uma série de variações ao piano sobre o já conhecido tema Vem cá Bitu.

Em 1906 Valle escreveu sua última obra completa - Batel da Dor, para dois pianos. Nesse mesmo ano, em 10 de outubro, Francisco Valle não resistiu à sua angustiosa neurastenia e atirou-se ao rio Paraibuna. 
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