José Siqueira Cadeira n° 8
Patrono Pedro I
Fundador Luís Cosme
     José Siqueira
1° Sucessor 2° Sucessor Acadêmico atual


Nasceu na cidade de Conceição do Piancó, na Paraíba, em 1907. Seu pai fora o mestre da Banda Cordão Encarnado, em sua cidade natal. Durante sua juventude José Siqueira atuou em bandas de música de várias cidades do interior da Paraíba. Veio para o Rio em 1927, ingressando na Banda Sinfônica da Escola Militar, como trompetista. Entre 1928 e 1933, estudou no Instituto Nacional de Música com Francisco Braga, Paulo Silva e Walter Burle-Marx, formando-se em composição e regência. Tornou-se professor catedrático da então Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil.

Em 1940 fundou a Orquestra Sinfônica Brasileira. Em 1953, viajou para Paris onde regeu a Orchestre Radio-Symphonique e freqüentou o curso de musicologia da Sorbonne. Regeu várias orquestras na França, Bélgica, Holanda, Itália, Portugal, Canadá e na antiga URSS, onde dirigiu a Orquestra Filarmônica de Moscou. Nos Estados Unidos dirigiu as sinfônicas de Filadélfia, Detroit e Rochester.

Em 1961 foi um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Nacional e, em 1967 criou a Orquestra de Câmara do Brasil. Siqueira participou da criação de várias entidades de classe e culturais, entre elas a Ordem dos Músicos do Brasil (1960) e o Clube do Disco. Publicou vários livros didáticos tais como Canto dado em XIV lições, Música para a juventude (em quatro volumes), Sistema trimodal brasileiro, Curso de Instrumentação, entre outros.

Seu catálogo de composições é enorme e vai desde a ópera, o oratório e a sinfonia até a música de câmara, para instrumentos solos e para voz. Foi um dos principais representantes do nacionalismo musical brasileiro. Abordou a temática indígena em obras como os Quatro Poemas (Ueremen, Acauã, Jaci-maruá e Curupira), de 1944, O Canto do Tabajara (1946), Cobra Norato (1976) e a Sinfonia no5 “Indígena” (1977). Os folguedos e tradições folclóricas de diferentes regiões geraram obras como a suíte coreográfica Uma festa na roça (1943), o episódio sinfônico Cenas do Nordeste Brasileiro (1944), os bailados O Carnaval do Recife (1947) e O Carnaval carioca (1965), o oratório Festas Natalinas do Nordeste (1974) e a série de Danças Brasileiras. A temática afro-brasileira se expressa em obras como o bailado Senzala (1941), o poema sinfônico Festança de Negros (1972) e a Sinfonia no6 “Negra” (1978). Ainda na temática afro-brasileira podemos citar as cantatas Xangô (1954) e Encantamento da Magia Negra (1957) e os oratórios Candomblé I (1957) e II (1970).

Na música instrumental, além das obras sinfônicas já mencionadas, podemos destacar a série de nove Brasilianas para orquestra de câmara, os Concertinos e Sinfoniettas Concertantes para praticamente todos os instrumentos sinfônicos e os três concertos para piano, dois para violino e três para violoncelo. No terreno da música de câmara a produção de Siqueira é igualmente grande, compreendendo as formações tradicionais de duos, trios, quartetos e quintetos até conjuntos mistos vocais e instrumentais. Escreveu ainda as óperas A Compadecida, de 1959, e Gimba, de 1963, a partir de peças teatrais de Ariano Suassuna e Gianfrancesco Guarnieri, respectivamente. Trata-se, portanto, de uma obra volumosa e diversificada.

José Siqueira faleceu aos 78 anos, na cidade do Rio de Janeiro, no dia 22 de abril de 1985.
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