José Mauricio Nunes Garcia Cadeira n° 5
Fundador Pedro Sinzig
     
1° Sucessor 2° Sucessor Acadêmico atual


É a personalidade mais importante da música brasileira no período compreendido entre o final do século XVIII e primeiras três décadas do XIX. Nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de setembro de 1767, filho de um casal de pardos libertos, o alfaiate Apolinário Nunes Garcia e Vitória Maria da Cruz. Sua formação musical ficou a cargo de Salvador José de Almeida Faria, músico mineiro natural de Vila Rica. Em 1783, aos 16 anos, escreveu sua primeira obra, a Antífona Tota Pulchra, e assinou o compromisso de fundação da Irmandade de Santa Cecília, da qual seria membro até o fim da vida. Em 1792 ordenou-se padre e em 1798 conseguiu a nomeação para o cargo de mestre de capela da Catedral e Sé do Rio de Janeiro, produzindo grande quantidade de obras.

Paralelamente a suas atividades de compositor, organista e regente, José Maurício se dedicou intensamente à atividade didática, tendo mantido durante muitos anos, em sua própria residência, um curso de música, onde ministrava aulas para jovens gratuitamente. Dentre seus alunos destacaram-se Francisco Manuel da Silva, Francisco da Luz Pinto e Cândido Inácio da Silva. A atividade de professor não se limitou às aulas. Escreveu manuais teóricos, destacando-se o Compêndio de Música e Methodo de Pianoforte, escrito para a instrução musical de seus filhos.

A maior parte da obra musical de José Maurício é de peças sacras para as mais diversas cerimônias da liturgia católica. Do total composto chegaram até nós pouco mais de 200 obras. Além das obras para igreja, escreveu também obras sinfônicas (Abertura em Ré e Zemira), uma ópera hoje perdida (Le Due gemele), peças para teclado e algumas modinhas, das quais apenas uma se preservou (“Beijo a mão que me condena”).

Em 1808, José Maurício foi nomeado por D. João mestre da sua Capela Real e adaptou seu estilo ao gosto musical do Príncipe Regente. A partir de então sua música ganhou em dramaticidade e colorido, com a incorporação de um efetivo maior de instrumentos e virtuosismo vocal. Entre as obras que melhor representam sua mudança estilística se destaca a Missa de Nossa Senhora da Conceição, de 1810. Em 1815, solicitado pelo Senado da Câmara, compôs um Te Deum pela elevação do Brasil a Reino Unido e recebeu de D. João o Hábito da Ordem de Cristo. Por ordem de D. João escreveu o Requiem de 1816 para os funerais da rainha D. Maria I, obra que é considerada uma de suas melhores composições. Durante anos seguiu compondo por ordem do Príncipe Regente e Rei de Portugal e por encomenda das diversas Irmandades do Rio de Janeiro, entre elas a de São Pedro dos Clérigos e Ordem do Carmo. Ao mesmo tempo regeu, em primeira audição no Brasil o Requiem, de Mozart e o oratório A Criação, de Haydn, compositores que admirava profundamente. 

A volta da Família Real para Portugal marca a fase final de sua carreira. Em 1822, já doente e sem recursos, fechou seu curso de música e apelou para D. Pedro I por melhorias salariais na Capela Imperial. Em 1826 compôs sua última obra, a Missa de Santa Cecília, para grande orquestra e coro. Em 1830 legitimou um dos seis filhos que teve com Severiana Rosa de Castro, o médico José Maurício Nunes Garcia Jr. (1808-1884), para o qual também renunciou ao título da Ordem de Cristo.

Faleceu no dia 18 de abril de 1830.  
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