João Batista Lehmann Cadeira n° 5
Fundador Pedro Sinzig
     
1° Sucessor 2° Sucessor Acadêmico atual


Possivelmente, foi o acadêmico que menos teve pretensões artísticas: a sua missão musical, ou melhor, seu apostolado musical foi sempre em favor de uma música funcional litúrgica, digna de fazer parte dos atos religiosos.

Era alemão, nascido em Mertloch, na Renânia, em 1873. Estudou música desde criança, dedicando-se ainda mais aos estudos musicais depois de entrar para a Congregação do Verbo Divino. Foi ordenado sacerdote em 1899 e no ano seguinte veio para o Brasil, para atuar na Academia de Comércio de Juiz de Fora como professor e músico.

Lehmann teve importante atuação no Brasil no sentido de orientar e estimular a música na Igreja Católica. O Papa Pio X, preocupado com a profanização da música praticada nos templos, promulgou o Motu próprio, baseado nas ideias dos “Cecilianistas”, visando a originalidade do canto religioso livre das melodias operísticas e a valorização do canto gregoriano. Lehmann, chegando ao Brasil, iniciou um grande trabalho, apesar de todas as dificuldades, por uma nova música funcional na Igreja. Faltavam partituras, livros de canto gregoriano, e a mentalidade dos músicos de Igreja estava dominada pelo operismo. Sem alardes, pouco a pouco, foi encontrando músicas e textos corretos, mudando a mentalidade, criando coros e, na falta de músicas para festividades, passou a compor música religiosa.

Em 1922 passou a atuar como diretor do jornal Lar Católico. No entanto, não deixou de compor. Assim, surgiu o livro de cantos a uma ou mais vozes com acompanhamento de harmônio: Harpa de Sião. Até o Concílio Vaticano II era encontrado em todas as igrejas e capelas católicas do Brasil. Sua fama de compositor litúrgico afirmou-se em todo o país. É verdade que teve grandes aliados como seu próprio antecessor acadêmico Frei Sinzig. Publicou depois um funcional Método de Harmônio que, como a Harpa de Sião, teve várias edições. Em 1925 passou a viver no Rio de Janeiro. Em 1946, criada a comissão arquidiocesana de Música Sacra do Rio de Janeiro, foi convidado para integrá-la e nela permaneceu até o fim de sua vida. Além do grande número de composições, quase todas religiosas e funcionais, escreveu livros de caráter religioso, destacando-se Na luz perpétua, em dois volumes, com biografias de santos, que também teve várias edições.

Foi eleito para a Academia Brasileira de Música, tomando posse a 27 de setembro de 1954, sendo saudado por Octávio Bevilacqua.

Faleceu no dia 13 de outubro de 1955, aos 82 anos de idade.
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