Alfredo d’Escragnolle Taunay Cadeira n° 17


Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de fevereiro de 1843. Sua família descende de Nicolas-Antoine Taunay, um dos artistas integrantes da Missão Artística Francesa, patrocinada por D. João VI para implementar o ensino das artes no Brasil. Seu pai, Félix Émile Taunay, foi diretor da Academia Imperial de Belas Artes. Sua formação se deu no Colégio Pedro II, onde estudou literatura. Estudou física e matemática na Escola Militar de Aplicação. Colou grau como bacharel em matemática e ciências naturais em 1863.

Como engenheiro militar participou da Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870. A experiência vivida nos campos de batalha resultou no livro A Retirada da Laguna, de 1869. Ao retornar do Paraguai iniciou carreira política, sendo eleito deputado pela província de Goiás, em 1872. Foi presidente da província de Santa Catarina entre 1876 e 1877, pela qual foi eleito deputado em 1881. Transferiu-se para Curitiba, onde foi responsável pela criação do primeiro parque público da cidade. Foi nomeado presidente da província do Paraná em 1885 e eleito senador por Santa Catarina em 1886. Recebeu do Imperador D. Pedro II o título de Visconde em 1889. Em sua carreira literária publicou os romances Inocência (1872), Lágrimas do coração (1873) e Ouro sobre azul (1875). Suas Memórias foram publicadas postumamente, em 1908.

O interesse da família Taunay por música vinha de longa data. Seu pai, o Barão de Taunay, conheceu e ouviu obras de José Maurício. Em suas Memórias o Visconde relata seu encontro com Bento das Mercês, arquivista da Capela Imperial, quando pela primeira vez ouviu uma Missa de José Maurício na abertura dos trabalhos legislativos. Em 1880, o Visconde de Taunay iniciou uma série de artigos sobre a vida e a obra do compositor na Revista Musical e de Belas Artes, publicada no Rio de Janeiro pela casa editora de Arthur Napoleão & Miguéz. Iniciou em seguida campanha pleiteando o levantamento e a publicação das obras de José Maurício, que resultou no primeiro catálogo de obras do compositor.

Em 1897, foi realizada a primeira edição de obra de José Maurício, o Requiem, de 1816. No ano seguinte foi a vez da Missa em si bemol, precedida de um “esboceto biográfico" escrito por Taunay. Por ocasião da inauguração e sagração da nova Igreja de Nossa Senhora da Candelária, foi executada, por iniciativa de Taunay, a Missa de Santa Cecília, de 1826, última obra de José Maurício, sob a regência de Alberto Nepomuceno. Foi também graças à ação do Visconde de Taunay que a maior coleção de manuscritos de José Maurício foi comprada pelo governo da república para a biblioteca do Instituto Nacional de Música.

Taunay teve atuação decisiva também em prol da carreira de Carlos Gomes e foi o autor do enredo para a ópera Lo Schiavo. Convidado pela Sociedade Congresso Militar pronunciou, em 1880, um discurso – "Homenagem a Carlos Gomes" – publicado por G. Leuzinger & Filhos. Sua correspondência com o autor da ópera Il Guarany foi publicada em 1910, pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Os inúmeros artigos e discursos parlamentares do Visconde de Taunay sobre José Maurício e Carlos Gomes foram reunidos por seu filho, Affonso d’Escragnole Taunay em dois livros: Dois artistas máximos - José Maurício e Carlos Gomes e Uma grande glória brasileira - José Maurício Nunes Garcia, publicados em São Paulo pela Editora Melhoramentos, em 1930.

Visconde de Taunay faleceu no Rio de Janeiro, em 25 de janeiro de 1899.
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